Gerar foto de produto com IA ficou barato e rápido. Cenário de cozinha para a panela, modelo usando a camiseta, fundo branco perfeito em mil fotos. O limite não é técnico: é o que acontece quando o produto que chega não é o da foto.
O limite legal
O Código de Defesa do Consumidor proíbe publicidade enganosa, definida como a que induz o consumidor a erro sobre natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem ou preço do produto. Fonte: Lei nº 8.078/1990 (Código de Defesa do Consumidor), artigo 37, §1º. Foto de anúncio é publicidade. Se a IA deixou o tecido mais brilhante, a cor mais viva ou a peça maior do que é, a foto é enganosa, mesmo sem intenção.
A regra do Google para imagem gerada
Quem anuncia no Google Shopping tem uma exigência a mais: toda imagem criada com IA generativa precisa carregar o metadado IPTC DigitalSourceType com o valor TrainedAlgorithmicMedia, e esse metadado não pode ser removido. A mesma lógica vale para título e descrição gerados por IA, que têm campos próprios no feed. Fonte: Ajuda do Google Merchant Center, “Conteúdo gerado por IA”, consultada em 26 de setembro de 2026.
O cuidado prático: editor de imagem, compressor e CDN costumam apagar metadados. Confira o arquivo que o feed realmente entrega, não só o que saiu da ferramenta.
O que pode e o que não pode
| Pode fazer com IA | Não pode |
|---|---|
| Trocar ou limpar o fundo | Mudar cor, textura ou acabamento do produto |
| Colocar o produto num cenário de uso | Mudar tamanho ou proporção (a bolsa “cabe mais”) |
| Padronizar luz e enquadramento do catálogo | Adicionar acessório que não vem na embalagem |
| Gerar variação de cor que existe em estoque, a partir da foto real daquela cor | Mostrar uma variação que não existe |
| Criar imagem de ambientação para redes sociais, deixando claro que é ilustração | Usar modelo gerada com caimento que a peça real não tem |
Teste simples antes de publicar: coloque a foto gerada ao lado de uma foto de celular do produto real. Se um cliente com as duas na mão diria “não é o mesmo”, não publique.
Um fluxo que funciona
- Foto real primeiro. Fotografe o produto de verdade, mesmo com celular, com luz boa. É a base que a IA vai tratar, não substituir.
- IA só no entorno. Fundo, cenário e luz. Peça explicitamente para não alterar o produto.
- Conferência por pessoa. Quem conhece o produto compara com a peça física: cor, detalhe, proporção.
- Metadado preservado nas imagens que vão para o Google, conferido no arquivo final.
Como saber se valeu
Os dois números são os mesmos da descrição de produto com IA: taxa de clique no anúncio e devoluções pelo motivo “produto diferente do anunciado”. Se a foto nova aumentou o clique e também a devolução, ela está vendendo um produto que não existe.